segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Sexo dos Anjos


O sexo é sagrado ao mesmo tempo em que é profano
O sexo pode ser tudo ou pode ser nada
O sexo pode ser a salvação ou a perdição de uma pessoa
Vai do frenesi com rompantes de desejos e de ternura
O sexo é transgressor, é paradoxalmente excitante
É o momento de glória para o homem

O sexo é lúdico, é contemporâneo
O sexo pode ser político
Pode ser socialista, pode ser comunista
Pode ser neo liberalista, pode ser burocrático
Pode ser de esquerda, de direita, por cima ou baixo
Na cama ou em baixo da chuva

O orgasmo é o elixir do Deuses, um ato sagrado
Que fora abençoado pelos anjos.
É puritano é efêmero
É biológico e metafísico
Pode ser para toda uma vida
Como pode ser apenas por uma noite

O sexo deve ser vivido e explorado em toda sua magnitude
Em toda sua essência, o sexo é transformador
É apoteótico, é o momento único
Transforma meninos em homens
E transforma mulheres em Deusas

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Desejo de Colombina



A colombina ama o Pierrot, mas morre de desejo pelo Arlequim. O canalha representado por Alerquim é o amante ensandecido, que tortura os pensamentos de luxúria de Colombina. Que ao mesmo tempo, se divide entre o amor lúdico de Pierrot, um amor puro, pelo qual Colombina sempre sonhou.

Essa representação do conto carnavalesco de Colombina é o mais puro retrato da paixão, que muitas mulheres nutrem pelo canalha. O canalha é sedutor, tem um brilho no olhar que encanta e que enfeitiça as mulheres de um modo geral. Ele tem o dom de falar a palavra certa na hora certa, falar aquilo que uma mulher precisa ouvir naquele momento.

O bonzinho que no conto carnavalesco é representado pelo Pierrot, é o par ideal para ter um relacionamento estável, para ter filhos e construir uma família. Mas na maioria das vezes, o bonzinho não sacia o desejo da mulher, como o canalha o faz tão bem. Com o bonzinho a menina vira esposa, já com o canalha a menina vira mulher.

Nem sempre o canalha é o mais bonito, nem o mais inteligente, muitas mulheres tem dificuldade para encontrar uma razão racional, uma razão lógica para terem se apaixonado tão intensamente pelo canalha.

Conheço história de mulheres devotas, fiéis a seus maridos, que trocaram um casamento de anos e anos, por uma efêmera aventura amorosa com um canalha. A imprevisibilidade do canalha seduz facilmente, a mulher entediada com a rotina e a tranqüilidade proposta pelo homem devoto, muitas vezes representado pelo próprio marido.

O bonzinho é aquele que procura ser o príncipe encantado, é romântico, leva sempre uma caixa de chocolate, manda flores e poemas em que declara seu eterno amor, entre outras coisas do tipo. Esse perfil de homem entendia facilmente a maioria das mulheres.

Apesar do homem bonzinho se encaixar no perfil de homem perfeito, ele não gera a mesma emoção e a mesma expectativa que o canalha. Isso acontece, pois a mulher é apaixonada pelo desafio, ela gosta de usar todo o seu poder de sedução para conquistar um homem. O canalha não se deixa apaixonar facilmente e isso desperta um desejo quase instantâneo de conquistá-lo.

É quase uma questão de honra conquistar um canalha, fazer com que ele se apaixone perdidamente. Quando se consegue conquistar o canalha, todo sofrimento passado, todas as noites em que passou em claro chorando, são recompensadas, quando consegue ter o canalha por completo. Nem que isso seja por um curto espaço de tempo, como acontece na maioria das vezes.


Autoria de
Kadan Cordeiro

sábado, 8 de maio de 2010

Medo de Mulher Bonita




Não é difícil ver mulheres lindíssimas solteiras, que tenham dificuldade em arrumar um namorado, mesmo porque esse tipo de mulher é seletiva por natureza.

Tenho uma amiga que é o retrato desse tema que escrevo. Ela é lindíssima, tanto de corpo, quanto de rosto. Ela no alto de seus 1,95 de altura é uma menina meiga, inteligente, interessantíssima e tem um senso de humor incrível. É raro ver mulheres bonitas, que tenham conteúdo e que não sejam arrogantes de certa forma.

Essa minha amiga, tem uma dificuldade enorme de ter um relacionamento estável. Todo relacionamento que ela começa simplesmente terminam antes mesmo de começar. Ela diz que os homens a deixam sem uma explicação convincente.

Talvez seja sua altura que assuste os homens, que não estejam acostumados a ver mulheres tão altas assim. Mas acredito que o real motivo de sua solidão seja a sua independência. A independência que essa minha amiga ostenta, seria um atrativo a mais na teoria, mas na prática torna-se um repelente de pretendentes, com uma eficácia sem tamanho.

A beleza acompanhada de conteúdo traz a independência, que assusta e que afugenta o macho com sede de dominação. De 30 anos para cá, a mulher conquistou sua tão almejada independência. Hoje a mulher tem o direito de escolher com quem vai para a cama e não mais o contrário, como era de costume.

Hoje a mulher é muito mais vaidosa, valoriza muito mais a beleza de seu corpo, trava uma luta com o tempo e com o espelho. A mulher de hoje em dia é dona de si, tem consciência de sua importância e do seu valor. Mas infelizmente nem tudo são flores, e na maioria das vezes a solidão é o preço a se pagar para ser livre.

Particularmente eu gosto de mulheres independentes, valorizo a personalidade de mulheres que não se deixam levar. Na minha concepção, a inteligência é afrodisíaca, e se nesse caso vier acompanhada da beleza, é um convite para a perdição.

Mas infelizmente vivemos em uma sociedade machista, onde muitos homens se assustam ao ver uma mulher bonita e independente. Todos os homens querem ter uma noite de sexo com uma mulher capa de Playboy, mas somente alguns querem ter um relacionamento com essa mesma mulher. Parece contraditório, mas se tratando de homem não é.

Esse caso me fez lembrar um amigo, que fazia questão de terminar todo relacionamento que começava, ele dizia que fazia isso, pois era orgulhoso demais para aceitar que uma mulher terminasse com ele.

Muitos homens, como esse meu amigo tem atitudes semelhantes, não pelo fato de serem extremamente orgulhosos, mas sim de serem inseguros. Para um homem de auto-estima baixa, ter um relacionamento com uma mulher que tenha esse perfil requer uma segurança e um autocontrole. Pois a concorrência é o preço a se pagar, por ter ao seu lado uma mulher que desperta a cobiça em outros homens.

Caso não se tenha essa segurança, ocorrem crises de ciúmes, que irão ocasionar inúmeras brigas, que por conseqüência leva o relacionamento ao desgaste prematuro.

Eu nunca tive um relacionamento com uma mulher bonita, digo bonita segundo os padrões estéticos atuais. Mas todas tiveram algo que me chamaram atenção, seja o sorriso, o olhar penetrante, sejam os lábios carnudos, seja a personalidade, enfim todas tinham uma beleza peculiar aos meus olhos. Mas todas sem dúvida alguma eram mulheres interessantes, independente de sua beleza.

O Orgasmo




Outro dia estava vendo no Discovery Chanel, uma matéria em que falava sobre a vida sexual dos animais, fiquei feliz em saber que o golfinho, é o único animal que transa por prazer, ao contrário de todos os outros animais, que transam para procriar e somente isso.

Vi também coisas bizarras, tais como o sexo do Louva-Deus. Você sabia que o Louva-Deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo? A fêmea inicia o ato sexual arrancando-lhe a cabeça

Alguns leões se acasalam até 50 vezes em um dia. Por isso que eles são os reis dá selva, tamanha virilidade não é para qualquer um.

Mas o leão não supera em qualidade o porco. É isso mesmo o porco gordinho desajeitado com aquela cara de besta, tem orgasmo que dura 30 minutos, provando mais uma vez que quantidade como a do Leão, não representam qualidade. Realmente o porco de besta, só tem a cara e o jeito de andar.

Deixando o mundo animal de lado, o orgasmo é o momento de glória para nós seres humanos, é um momento mágico. Naqueles poucos segundos, o homem vê a importância de sua existência sendo consumada, entre o delírio e a loucura, de um frenesi que somente nós e os golfinhos sabemos (pelo menos eu acho).

Falo do orgasmo masculino, como conhecimento de causa. O orgasmo é um momento mágico, onde se pode ver estrelas e sentir sensações inimagináveis, por assim dizer.

Assim como Nelson Rodrigues dizia que a TV matou a janela, afirmo que, a rotina acaba com o alibido, com doses homeopáticas de pragmatismo na hora do sexo. Não existe algo mais nocivo para o tesão, do que o pragmatismo do sexo, a rotina e a estabilidade do relacionamento, acabam com qualquer sex appeal. É frustrante saber como terminará o sexo, antes mesmo de começar.

O sexo está interligado a durabilidade de um relacionamento, a pessoa ao seu lado pode ser a sua tão sonhada alma gêmea, sua cara-metade, pode te completar em todos os sentidos, mas se não te fizer gozar como desejas, a probabilidade desse relacionamento terminar é muito grande. Se goza com intensidade é na instabilidade da paixão, é aí que acontece os orgasmos mais intensos.

O amor vem depois do sexo, primeiro vem o tesão, aquela paixão enlouquecedora que é comum em começo de relacionamento. E naturalmente vai diminuindo a intensidade, dando lugar a um sentimento mais nobre de cumplicidade e de companheirismo, mais conhecido como Amor.

Mas esse ciclo depende do sexo, depende do tesão, do encaixe que acontece durante o sexo, pois o sexo com tesão torna-se paixão e o amor sem tesão torna-se amizade. Como já disse Arnaldo Jabor um dia, ninguém se masturba por amor ou sofre sem tesão.

Em relação ao orgasmo do homem, o orgasmo é mais racional, é algo direto, já a mulher goza antes durante e depois. A mulher necessita de fatores mais subjetivos para entrar no clima. Fato que muitos homens desconhecem.

A mulher não usa somente a visão para se excitar, assim como o homem. A mulher precisa do envolvimento, do toque, do beijo, do cheiro, da palavra perdida dita com a intensidade do desejo. Daquela pegada que a faz sentir como se fosse à única mulher a existir.

O orgasmo é o momento de glória é a consagração do desejo da carne, quando esse desejo é saciado. É o regalo divino ofertado pelos Deuses, que nós temos o prazer de desfrutar todos os dias.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Long Time




Recentemente passou na TV o filme Efeito Borboleta, pelo qual assisti pela 3° vez. Esse é o tipo de filme que pode reprisar que eu estarei assistindo, assim como: Ghost e Meu primeiro Amor, que não canso de assistir.

Efeito Borboleta é um filme contemporâneo, que nos força a uma analise sobre nosso passado, fazendo uma projeção em relação ao nosso futuro.

No filme traz como personagem principal, Evan (Ashton Kutcher) um jovem que luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele decide realizar uma regressão onde volta também fisicamente ao seu corpo de criança, tendo condições de alterar seu próprio passado. Porém ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos, já que toda mudança que realiza gera consequências em seu futuro.

Toda vez que vejo esse filme, me faz lembrar a minha vida e das minhas escolhas, como qualquer pessoa eu tenho arrependimentos, pois seria bom se eu falasse em certos momentos e me calasse em outros, tivesse dito sim em algumas oportunidades e tivesse dito não em outras, ter roubado aquele beijo, me declarado quando tive a oportunidade, tivesse me contido naquela situação e tivesse me manifestado em outras situações.

Mas se pudéssemos voltar no tempo, isso seria garantia de felicidade? Será que se pudéssemos alterar nosso passado, seria garantia de felicidade no presente?

Muito provavelmente não, pois nós nunca estamos satisfeitos com o que temos, essa é a diferença que nós temos em relação aos animais, nós buscamos sermos felizes e eles simplesmente o são.

Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria aos meus oito anos de idade, seria uma criança mais confiante e menos complexada e não iria ligar para a opinião das outras pessoas. Com isso seria mais aceito pelos meus amigos e etc.

Mas se eu fosse assim com certeza eu não teria a personalidade que eu tenho hoje, não teria a mesma visão que eu tenho hoje. Pois muito provavelmente eu seria tão fútil quanto os meus amigos eram e hoje por conseqüência seria uma pessoa vazia.

E com certeza não teria escrito muito de meus textos e nem teria feito o blog do Homenzinho de Barba Mal Feita, no máximo teria um blog de humor com piadas copiadas da internet.

Mas toda escolha exige sua renúncia, se voltássemos ao passado e conseguíssemos a solução de um problema, por conseqüência criaríamos outros problemas. Nós só aprendemos com nossos erros e temos a ridícula tendência de somente valorizar aquilo quando perdemos.

O tempo em si é um grande professor, somente ele nos ensina com as derrotas e valorizarmos as vitórias. Com o tempo amadurecemos, crescemos como pessoa. Com o tempo deixamos de ter medo do escuro, deixamos de ser tão tímidos, de sermos tão inseguros.

Aprendemos que tamanho não é documento e que ter uma bundinha empinadinha não é tudo nessa vida. Deixamos de sermos tão fúteis, aprendemos a dar valor as coisas simples da vida, as coisas que realmente são importantes para nós.

Efeito Borboleta traz a tona o eterno desejo apoteótico do homem em decidir o seu destino, o desejo enraigado de controlar o tempo. No filme mostra como é frustrante para o pequeno grande ego do homem, em constatar a dura realidade, de que é controlado pelo tempo de que não pode voltar atrás e mudar o passado e decidir o futuro.

E se tivéssemos a possibilidade de voltar no tempo e consertar as besteiras que cometemos, a vida perderia muito do seu dinamismo, e deixaríamos de aprender com os nossos erros, pois é através dos erros que buscamos alcançar a perfeição.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Paradoxo da Beleza



Desde os tempos mais remotos, que a beleza feminina causa controvérsias. Na china antiga, por exemplo, as meninas a partir de seus seis anos, tinham os seus pés enfaixados, e usavam sapatos com a numeração menor, conforme elas iam crescendo, os pés iam se deformando. Na fase adulta essas meninas tinham dificuldade para andar e, esse sacrifício era em sinal da beleza estética na época.

No início do século XX nos Estados Unidos e Europa, as mulheres usavam espartilhos que limitavam seus movimentos e causava uma série de problemas de saúde, incluindo insuficiência respiratória, atrofiamento dos músculos das costas e deformação do estômago e fígado. Isso tudo para ter uma cinturinha de “Pilão” e, esconder aquele pneuzinho.

Em algumas regiões da Ásia e da África, existem as “mulheres girafas”, que usam argolas no pescoço. Essas argolas representam classe social, sinal de vaidade e, de feminilidade para as mulheres daquela região. Algumas vezes deixam as usuárias deficientes e dependentes de seus maridos.

Daí vem à pergunta que não quer calar... Sinal de beleza ou submissão, imposta pelo sexo masculino?

Na antiguidade a coisa era diferente, e as gordinhas eram veneradas como símbolo de beleza. Um homem da época não se interessava por uma Marlyn Monroe da vida, pois, ser magro era sinal de doença e pobreza, pois era magro, pois não tinha o que comer.

Se antigamente as mulheres tinham que se entupir de torresminho para manter a forma, não é a cena que se vê nos dias atuais, onde se existe um culto a magreza esculpida e exagerada. E esse conceito já é introduzido já na infância, pois as bonecas Barbies e as Suzis são tão magras que até parecem anorexias.

Um corpo magro é sinal de beleza, um protótipo de sucesso. Imagem que fora criada pela sociedade, que estabeleceu esse padrão como beleza absoluta. Mesmo nos dias de hoje, o machismo continua enraizado nas entranhas da nossa sociedade, apesar da liberação sexual conquistada pelas mulheres, muitas mulheres sofrem por não se encaixarem no padrão de beleza estabelecido pela mesma sociedade. As mulheres invariavelmente confundem auto-estima com ter um corpo com curvas delineadas, sem estria e sem celulite.

Com essa ditadura da beleza, o tempo torna-se o maior carrasco para o Narciso, pois mostra de forma cruel que a beleza não é eterna. A bundinha durinha e empinadinha de hoje, será a bunda caída, com celulite e estria de amanhã. Em contra partida se já não temos o mesmo rosto lisinho, nos sobra experiência, maturidade e acima de tudo conteúdo.

Hoje as mulheres buscam a forma física ideal, a preço de dietas infindáveis, muita academia, lipoaspiração e drenagens ninfaticas, para conseguir enfim, sumir com a maldita celulite.

Mas acreditem meninas, só quem pode se dar ao luxo de usar fio dental sem celulite é travesti (o Ronaldo, que o diga). E às vezes nós homens até preferimos umas gordurinhas para pegar, ao invés de um ossobuco de passarela.


PS. E viva Venus Willindor Flarge(foto acima), a gostosona da pré-história!!!


Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Saudade de Lurdinha



Olavo estava sozinho em sua cozinha, saboreando o2° copo de whisky, chorando mais uma vez a partida de sua tão amada esposa Lurdinha, que faziam três anos que tinha ido embora com Fonseca seu amigo contador, que conheceu a muitos anos no fórum, onde durante muitos anos trabalhou como escriturário, agora que estava aposentado por tempo de serviço, via as horas de seu dia passar para constatar a inutilidade de sua vida, sem sua querida Lurdinha.

Hoje Olavo valoriza os afazeres domésticos que Lurdinha realizava, hoje andava com suas camisas quase sempre manchadas e abarrotadas, mostrando a dificuldade que ele tinha para passar uma camisa de botão.

Sem contar à saudade que sentia da rabada que só Lurinha sabia fazer, hoje gastava boa parte de sua aposentadoria, no bar do Feitosa, onde sempre comia um picadinho com moela no almoço e que trazia uma quentinha para jantar.

Olavo era feliz e não sabia, hoje era um homem melancólico, triste, amargurado pela falta que Lurdinha fazia em sua vida.

Olhando para aquele copo pela metade de Whisky em sua mão, Olavo pode ver onde errou com Lurdinha, onde que por 20 anos não soube valorizar a mulher que tinha em casa. Uma mulher dedicada, devota, companheira, que sempre esteve ao lado dele, mas que hoje se encontrava nos braços de Fonseca.

Cansado dessa vida miserável, Olavo decide tomar uma atitude radical nessa situação, em um gole só acaba com a dose que restava em seu copo. Levanta em direção ao armário da dispensa e abre em busca daquilo que enfim daria tranqüilidade a seu desespero.

Porém, Olavo leva um susto ao ver sair dela uma barata, com o reflexo que lhe restava, Olavo chuta a barata para o canto da cozinha. Voltando a sua atenção ao que realmente interessava naquele momento: um frasco de racomim.

Seria perfeito, pois somente um veneno de rato para matar outro rato, um rato que foi incapaz de demonstrar o tanto que amava Lurdinha. Agora já era tarde, na verdade passara da hora de dar fim aquele vida de lamúria que já duravam três anos.

Olavo enche mais uma dose de seu Whisky Johnnie Walker Gold Label 18 anos, que ganhou de seu chefe de repartição, quando completou dez anos de casado, onde nunca tinha aberto pois esperava uma ocasião especial, e aquela era a tão sonhada ocasião.

Olavo pega o racomim e despeja em seu whisky e diz:

- Todo castigo para corno é pouco!!!

Quando ia tomar olha para o canto da sala e vê que a barata que ele tinha matado ainda estava viva. Deixou o copo de Whisky em cima da mesa e se aproximou da barata. Agachou-se e pode ver que ela estava de ponta cabeça e mexia suas patas, num movimento irracional para se livrar da morte.

Olavo pode ver o desespero da barata em sobreviver, agonia que sentia pelo fato de não poder se defender nem de fugir, via que ela a barata mesmo sendo um inseto, não se deixava abater pelas dificuldades da vida e acima de tudo queria viver, mesmo sabendo que seria pelo resto de sua vida apenas uma barata.

Nesse momento Olavo, tomou consciência de sua fraqueza e de sua covardia em tentar acabar com sua vida. Olavo desvirou a barata e deixou que seguisse sua vida em paz, guardou o racomim e o Whisky e foi dormir, pois já passava da 23:00.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, registrado em cartório.
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