domingo, 27 de fevereiro de 2022

A Umbanda surgiu em 1908, é uma religião brasileira, com elementos de religiões africanas, indígenas, e cristãs. Além de traços do Budismo e hinduísmo. A doutrina espírita serviu de base para a Umbanda. 

Tudo começou com Zélio, que era médium, e foi convidado a fazer parte da mesa mediúnica de uma casa espirita. E lá começou a receber espíritos de negros e de índios. E o diretor da casa expulsava esses espíritos, por julgar espíritos inferiores.

“Por que expulsa esses espíritos, se nem querem ouvir? Será por causa de suas origens e da cor?”

Quando um dos médiuns pediu o nome da entidade, a entidade respondeu:

“Se querem um nome, que seja este: Sou o caboclo das sete encruzilhadas. Se julgam atrasados esses espíritos, devo dizer que amanhã estarei na casa desse aparelho (homem) para dar início, a um culto, em que esses negros e índios não serão expulsos e poderão dar a sua mensagem.” Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.

No dia seguinte, os membros da federação espírita foram até a residência de Zélio, para comprovar. Zélio então incorporou o caboclo das sete encruzilhadas, que declarou que os velhos espíritos de negros escravos e índios, poderiam trabalhar em auxilio dos seus irmãos encarnados, não importando a cor, raça ou a posição social. Foi assim que nasceu o primeiro terreiro de umbanda, chamado "Tenda Espírita Nossa senhora da Piedade".

O espiritismo/kardecismo serviu de base filosófica, onde ainda tinha mesas brancas e os médiuns recebiam orientações do líder, que no caso era o Sete encruzilhada.

Assim como tem os santos no catolicismo, nas religiões de origem africana, existem os Orixás. Que são cultuados como Deuses há mais de 5 mil anos na África. Além de incontáveis guias e suas ramificações, que vai dos Erês, caboclos, ciganos, marinheiros, boiadeiros, pretos velhos etc. Todos os guias sejam homens ou mulheres, viveram entre nós, e devido as suas virtudes, se tornaram guias.


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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Hang The DJ

Imagine um aplicativo, que além de formar casais, ainda prevê a data de validade da relação?
Recentemente eu assiste o episódio "Hang the DJ", que é a da 4º temporada de Black Mirror (uma das minhas séries preferidas).
No episódio em questão, mostra um mundo futurista onde um aplicativo determina a data e o local, onde irá ocorrer o encontro, e ainda a data de validade, que pode ser de 12 horas, uma semana, 1 ano, 5 anos e etc.
A ideia é que cada pessoa tenha o maior número de encontros possíveis, para que o aplicativo possa encontrar uma pessoa, na qual ira ficar para sempre, ou sem validade. Que é o que todos ou a maioria almejam encontrar.
O Tinder pegou o gancho do episódio, e prometeu criar uma espécie de série interativa, com os usuários simulando o fim do mundo, e o sistema escolheria o seu par, para viver o último dia na terra.
O episódio traz boas reflexões bacana, sobre o domínio da tecnologia, e achei interessante, que um dos personagens, diz que o programa foi criado, pois as pessoas tinham dificuldade de terminarem seus relacionamentos
Vale a pena dar uma conferida, recomendo.
Foi criado um site, pela produção do Black Mirror, onde você e seu crush, podem descobrir quanto tempo ficarão juntos.

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

"Sim"



Eu queria ouvir um "não"
Mas sem misericórdia, sem constrangimento
sem um pingo de temor, ela disse "Sim"
Categórico e incisivo "Sim"
Repetiu mais 3 vezes "Sim", para que não houvessem duvidas
Tinha esperança de ouvir ao menos uma vez um "Não"
Ou quem sabe um "Talvez", "quem sabe",
Uma duvida qualquer
Mas não! Não titubeou nenhuma vez, e disse "Sim", com uma certeza abissal
O chão se abriu, meus olhos se arregalaram,
A saliva secou, dos lábios meus, não se pronunciou uma silaba sequer
O silencio se fez presente para todo o sempre !
Meu coração sangrou, como a muito não sangrava
Já nem lembrava que tinha coração
Está com outro? "Sim"
Está apaixonada? "Sim"
Já me esqueceu? "Sim"

sábado, 31 de maio de 2014

Depois Daquele Baile







Ontem assisti mais uma vez o filme “Depois daquele baile”, esse foi o último filmeque de fato me emocionou, antes dele só o filme “Sempre ao seu Lado”, onde o cachorro passa anos em frente a uma estação de trem, esperando seu dono que tinha morrido.  Tenho certeza que aquele cachorro é melhor ator, que 80% do elenco da Malhção.

Voltando a falar sobre o filme , nele retrato algo paradoxal nos dias de hoje, que é esperar por mais de 30 anos, por um amor. Hoje em dia os amores são frivolos até demais, em uma semana encontramos o amor de nossas vidas, duas semanas depois, já estamos a procura de um novo amor.

O filme tem como pano de fundo, um triangulo amoroso na terceira idade, onde Freitas, (Lima Duarte) e Otávio (Marcos Caruso), disputam o coração de Dóris, personagem interpretado por Irene Ravache, que cuida de uma pensão, e tem como clientes mais assíduos, os dois galanteadores da melhor idade.

No filme mostra que a timidez de Otávio, e o fato de não saber dançar e nem lidar com o sexo feminino, fez com que guardasse um amor de 30 anos só para si, o grande amor que conheceu em um baile de carnaval, e que por obra do destino reapareceu 30 anos depois. Otávio tenta faze-la se recordar daquele último baile, para enfim saciar seu amor não correspondido.

Dóris é alegre, cheia de vida,  Otávio é preso ao passado e Freitas só se importa com o futuro, é pra frente que se anda, como fala repetidas vezes durante a película.
O filme é leve e emocionante ao mesmo tempo, um filme bélissimo , onde o amor, a saudade e a amizade criam laços, e se confundem no meio da história. 

“Depois daquele baile”, é um filme reflexivo, muitas vezes deixamos de nos declarar, de falar sobre o que sentimos e acabamos deixar o baile acabar, e ficamos apenas com a lembrança daquilo que poderíamos ter vivido. Seja por medo, insegurança, ou por medo de sofrermos uma desilusão.

Muitas vezes deixamos o baile acabar, pelo medo de nos machucarmos, devido as tormentas vividas no passado, e todos nós estamos sujeitos a sofrer, quando buscamos a felicidade maior, é a lei da vida
Renato russo disse certa vez “Que se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento”, uma frase piegas, mas que tem seu fundo de verdade. Por isso, não podemos deixar o último baile acabar.


PS. Gostaria de agradecer a minha amiga e assidua leitora, Carolina Rebeca... Essa crônica a dedicada a ela, e a seu apoio.


Autoria

Kadan Cordeiro

sábado, 23 de abril de 2011

A Filosofia do Gênero Animal

A tartaruga de duro casco de muita idade e grande sabedoria andava com seu passo vagaroso pela floresta, um passo de quem não tem pressa, devido aos longos anos de vida.

A tartaruga parou para descansar, debaixo de uma grande árvore. Enquanto descansava, observou o bicho preguiça deitado em um galho no alto de uma árvore. Por certo o bicho preguiça estava dormindo, porém foi acordado pelo macaco, que pulava de galho em galho.

- Espero que uma cobra possa subir nessa árvore e que faça você, o seu almoço. – Disse o bicho preguiça.

- Vire essa boca para lá bicho preguiça – respondeu rispidamente o pequeno macaco

- Não sei por qual motivo pelo qual vocês pulam tanto, me canso só de ver vocês pulando.

- E eu não entendo qual a graça de viver deitado em um galho. Faz quantos anos que você não desce dessa árvore?
Enquanto o bicho preguiça e o macaco brigavam, a tartaruga se aproximou da árvore da discórdia.

- Não adianta discutir sobre a razão do gênero animal – Interrompeu a discussão a tartaruga - Cada animal é único em sua essência e na forma de ser. Todo animal tem o seu espírito, seja esse animal dos ares, dos mares, rios ou da terra. Seja animal que caminhe sob quatro patas ou sob duas patas.

- Com certeza a cobra não tem esse espírito que você diz – Queixou-se o macaco, do fato da cobra sempre comer algum macaco.

- Os macacos não podem falar muita coisa, pois os macacos comem os pequenos sapos, além dos caramujos – comentou o bicho preguiça, que não tinha pressa alguma, e que só comia as folhas que suas patas alcançavam.

- Mas os caramujos não têm espírito – Respondeu o determinado macaco

- E quem disse que não temos espírito? – perguntou o caramujo que por ali passava.

- Duvido muito que os insetos possuem algum espírito, ainda mais os caramujos.

- Nós temos sim um espírito – continuou o pequeno caramujo - temos uma alma que nos acompanha, não é pelo fato de pertencer à raça dos insetos, que minha alma é inferior em relação à alma de qualquer outro animal, principalmente em relação aos macacos que comem caramujos.

O caramujo era prudente assim como a tartaruga, pois fazia questão de levar sua morada nas costas. O caramujo passava o dia observando outros animais de menos espírito, de acordo com seu julgamento.

- Falando em ter mais ou menos espírito, fez com que eu recorda-se de um animal, que acredito que vocês não conheçam. Algum de vocês conhece o animal que caminha sob duas patas, que se chama Homem? – Perguntou a tartaruga

Todos negaram tal conhecimento, e desconheceram qualquer animal, que tivesse tal equilíbrio para se firmar em duas patas.

- Meu tio que tinha quase todas as respostas e que tinha conhecido muitas terras, disse ter conhecido uma espécie de animal, que se chamava homem. E essa espécie de animal, eram possuidores de grande espírito, pois não se alimentavam de outros animais, só comiam o que brotasse da terra.

Meu tio me disse que esses homens que moravam nessa terra, não faziam mal a nenhum outro animal, que tivesse vida e que tivesse espírito. Só comia o rabanete, pois desconhecia a existência de um espírito nos rabanetes.

Pelo que me disse, o homem possui pêlos, mas não muito como os macacos, eles também nadam, mas não possuem barbatana de peixe, possuem quatro patas, mas só usam duas para caminhar.

- Nunca vi esse animal que caminha sob duas patas, mas possuo grande estima por essa espécie desconhecida. Com toda certeza possui muito mais espírito que os macacos, que comem caramujos indefesos como eu. – Afirmou o caramujo, interrompendo a tartaruga.

- Pode ter certeza que jamais me alimentei de um único caramujo, e nem vou comer enquanto crescer frutas nessa floresta. Posso não ter grande espírito como esse animal que caminha sob duas patas, mas com certeza tenho bom gosto para escolher o que vou comer.

- E esse animal que caminha sob duas patas, é grande? – pergunta o Bicho Preguiça, interrompendo a discussão entre o macaco e o caramujo.

- Nunca vi essa espécie de homens, que tivesse tal espírito em relação ao gênero animal, mas meu tio disse que eram maiores que um macaco e menores que um urso.

- Nunca vi esse animal de nome de urso – diz o bicho preguiça, que jamais havia saído daquele pedaço de terra.

- Em uma de minhas viagens, fui parar em uma terra que moravam muitos ursos. O urso é um grande animal, é da família da raposa, porém é maior que a raposa.

- Também nunca vi essa raposa – diz o macaco

- A raposa se parece um coelho grande, só que a raposa não sabe pular, anda sob quatro patas, tem dentes afiados que serve para comer coelhos desavisados. E antes que alguém pergunte o que é um coelho, o coelho é um rato, só que é um rato grande que pula. Outro dia eu falo sobre todos os animais que eu conheço e todos os animais que meu tio conheceu. Mas voltando a falar sobre os homens, eles tinham o poder da alquimia para criar o fogo, quando julgavam necessário.

- Nunca imaginei que a natureza pudesse criar um animal, com tamanha versatilidade e tamanhas virtudes. E eu me impressionava com a mudança de cores do camaleão e com a lagarta, que nasce na forma de um animal pouco estimado, mas que morre na forma de uma linda e imponente borboleta – comentou o caramujo.

- Essa é a vantagem de ser tartaruga e de poder viver por tantos anos, nós podemos conhecer terras nunca antes imaginadas, por outros animais. Mas infelizmente esses homens de grande estima, foram mortos por outros homens, que chegaram naquele pedaço de terra e talvez eu nunca vá conhecer essa espécie de homens de grande espírito.

Esses outros homens, que por certo não tinham espírito, mataram os outros homens e outros animais, sem nenhum motivo aparente. Meu tio me disse que não havia diferença física, entre os homens de bom espírito e os outros homens que não tinham espírito algum.

Meu tio contou que esses homens ficavam extremamente contente, quando encontravam nos rochedos, pedaços de pedra amarelada e outras pedras brilhantes, que jamais teve serventia para nenhum outro animal, a não ser para aqueles homens de nenhum espírito.

- Jamais pensei que essas pedras amareladas, tivessem qualquer importância para qualquer animal. – comentou o bicho preguiça.

- Eu também nunca vi serventia nessas pedras – ressaltou o macaco

- E isso não é tudo, continuou a tartaruga – Depois que meu tio conheceu essa espécie, eu fui conhecer outras terras ao lado dele, fomos conhecer terras mais distantes, para não encontrar animais tão pobres de espírito, como aquela espécie de
homens.

Chegamos a uma terra onde tinham poucas árvores em pé e muitas árvores caídas, pensei que por certo era os desígnios da natureza, que fez com que todas aquelas árvores caíssem.

Achei estranho e perguntei para uma coruja, que repousava em uma das poucas árvores que resistiam em pé. Perguntei qual fora à desgraça que tinha assolado aquele pedaço de terra, que por certo havia sido renegada pela natureza.

A coruja de muita idade e muita sabedoria, disse que o motivo foi à chegada de homens que chegaram pelo mar, onde usavam troncos de árvores, para ir de um pedaço de terra para outro pedaço de terra. E que desde que chegaram ali, não faziam outra coisa além de derrubarem árvores.

Mas a coruja disse que não sabia o motivo, para que esses homens de pouco espírito, derrubarem tão estimadas árvores, que por certo tinham mais de um século de existência.

A coruja contou que naquela ilha sem árvores, também existiam homens de bom espírito, mas que tinham tido o mesmo fim, dos outros homens da terra das pedras amareladas.

- Mas qual a serventia de uma árvore caída? – Perguntou o macaco

- Não sei qual a serventia de uma árvore caída, nenhum outro animal soube responder, o motivo de derrubar uma árvore. A única coisa que eu sei, é que eu, meu tio e outras tartarugas, fomos embora daquele pedaço de terra, para se ver livre daquela espécie de homens.

Chegamos a uma terra, onde era mais desgraçada que as duas anteriores. Ao chegar nessa terra, conhecemos um urubu que se achava muito contente naquela terra.

- Sejam bem vindos, se os homens não caçarem tartarugas, por certo irão julgar essa terra, como a terra mais proveitosa, que já conheceram em seus longos anos de vida.

- E cadê os outros animais só se vêem urubus nessa terra?

- Antes essa terra era repleta de animais de várias espécies, mas desde que os homens chegaram, alguns animais foram caçados, outros fugiram para outras terras e os que ficaram se escondem dos homens. Mas nós os urubus, não temos o que reclamar, pois comida é o que não nos faltam, tem até para escolher – gargalhou o urubu.

Depois de algum tempo naquele pedaço de terra, nós entendemos motivo para os urubus terem admirado aquela terra. Conhecemos outras terras próximas, que foram muito recomendadas pelos urubus.

E cada terra que visitávamos, era um animal que os homens caçavam. Os homens caçavam elefantes, não para comer a sua carne, mas sim, para retirar as suas presas, e o mesmo servia para os rinocerontes, onde retiravam somente o seu chifre.

Meu tio e as outras tartarugas mais velhas, afirmavam que aquela terra havia sido renegada pela natureza. Disseram que jamais tinham visto terras como aquelas, onde se via tantas carcaças de animais, onde os urubus faziam suas refeições contentes, com tamanha fartura.

- Esses homens caçavam caramujos? – Perguntou o caramujo

- Não tive conhecimento, se os caramujos fazem parte da lista dos animais que os homens caçam ou caçavam.

- Mesmo o homem não perseguindo nós os caramujos, posso garantir que jamais conheci um animal tão desprezível. Jamais tive conhecimento de qualquer outro animal, que mate outro animal sem que seja para matar a sua fome.

- Também não conheço qualquer outro animal, que siga essa filosofia – Complementou o bicho preguiça.

Quando saímos daquela terra – continuou a tartaruga – A nossa desgraça foi ainda maior. Pois chegamos a uma terra onde os homens caçavam tartarugas. Meu tio e outras tartarugas acabaram sendo caçadas, onde seu casco era retirado pelos homens, que recusavam a nossa carne. Queriam apenas o casco.

Eu e outras poucas tartarugas conseguimos fugir daquela terra maldita, onde jamais voltarei. Espero que esses homens não venham habitar esse pedaço de terra, para que não cacem nenhum animal, não derrube nenhuma árvore e nem venham retirar essas pedras amareladas, que não tem serventia para nenhum outro animal.

Os homens que conheci, eram menores que um urso, como tinha dito, não tinha grandes garras, nem grandes presas, não tinha nada que pudesse usar para atacar ou se defender de outro animal. Mas eles usavam outras virtudes, para caçar outros animais. Virtudes que não sei explicar ao certo se algum outro animal possui.

Eles usavam os elementos da natureza para poder criar ferramentas, que facilitavam a sua caçada, assim como a madeira e o fogo. E ao contrário dos homens que meu tio conheceu, esses homens se alimentavam somente de carne de outros animais.

- Mas que animal é esse, que só se contenta com o que não tem serventia? – Contestou o macaco de forma indignada, com a filosofia desses homens.

- Por certo estive enganado, quando fiz bom juízo dessa espécie desconhecida e que espero não conhecer. – Afirmou o bicho preguiça.

- Realmente é uma espécie interessante, em seu gênero. Seu tio conheceu uma espécie de homens de bom espírito, que respeitavam outros animais, as árvores e que nem se importavam com as pedras amareladas e as pedras brilhantes. Já você tartaruga, só teve contato com homens que não tinham espírito algum. – disse o caramujo

- Isso mesmo caramujo, tem macacos que não comem caramujo, outros que comem caramujo, tem cobra que come macaco, mas existem cobras que só comem ratos e outras cobras nem ratos comem. Assim como tem homem que só come couve flor e outros que comem outros animais, matam outros homens por causa de pedras sem serventia, derrubam árvores, arrancam chifre de rinoceronte, presas de elefante e casco de tartaruga.

- Mas eu consigo reconhecer as cobras que não comem macaco, assim como sei quais os macacos que comem caramujo, mas se os homens são iguais, como reconhecer, os homens que tem espírito e os homens que não tem espírito algum? – Perguntou o macaco.

- Essa é a grande questão, como reconhecer um homem que tem um grande espírito, e reconhecer outro homem que não tem espírito algum? Questionou a tartaruga, sabendo que não obteria tal resposta.

domingo, 3 de abril de 2011

O dia em que o fósforo não acende




O pênis é a figura perfeita da autonomia de um ser, é temperamental só trabalha quando quer, é um sindicalista nato. Não adianta pedir para fazer hora extra, quando no máximo topa um trabalho de meio período, isso quando aceita trabalhar.

Os motivos para a moral não levantar, são os mais variados possíveis. Pode ser de ordem física, como uma disfunção erétil, cansaço ou problemas no trabalho (a dor de cabeça masculina) e tb o uso da camisinha, que apesar da importância mais do que conhecida, geralmente diminui a sensibilidade do pênis e com isso, pode ocorrer meio período de trabalho ou greve geral mesmo.

Outras vezes é psicológica mesmo, dependendo o caso pode ocorrer por insegurança, principalmente quando o relacionamento é recente, e ainda não se tem tanta intimidade.

Às vezes o homem deseja tanto aquela mulher, que na hora a ansiedade toma conta, e prejudica o ato. Se a mulher for muito bonita, e o homem tiver baixa autoestima, pode influenciar no desempenho.

Às vezes o homem se preocupa tanto em não falhar, que acaba falhando, como diz o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo: O medo de perder tira a vontade de ganhar.

Não adianta virem com pesquisas, que comprovem que falhar na hora é mais comum do que se imagina. O homem tem em seu gene, a necessidade de procriação, é essa a função do homem, mesmo que não tenha mais necessidade de procriação, essa característica ainda resiste apesar do mundo ter gente até demais.

E o fato de broxar, afeta bastante o homem, podendo prejudicar o relacionamento, principalmente se o relacionamento está no inicio.

Mas o fato de broxar, não é uma exclusividade do homem, a mulher também broxa. Caso você mulher, que está lendo agora e não concorde comigo, imagine você no quarto com o jogador Inglês David Beckham. Legal, certo?

Agora imagine o jogador inglês David Beckham só de calcinha?*

A umidade relativa do ar (como diz a minha amiga Jan), que estava em alta, quase alagando, passa por uma seca lastimável, em uma velocidade incrível.

São coisas assim que fazem com que a mulher perca o tesão, assim como um homem em uma noite, peça para que você realize o famoso “fio terra” nele. Não só de fantasias extravagantes que fazem com que a mulher perca o tesão.

O tamanho também pode influenciar, tenho uma amiga que não quis transar pelo fato dela ter achado muito pequeno, e outra amiga desistiu por ter achado muito grande. As posições também podem prejudicar a mulher na hora de ter o orgasmo. Tem homem que não varia de posição, já outros não tem paciência para ficar muito tempo na mesma posição.

A mulher deve falar de que jeito gosta de transar, se gosta de um ritmo mais forte, ou mais fraco, as posições que sente mais prazer e principalmente, não fingir orgasmo.

Pois a mulher que finge orgasmos, para agradar o homem, mente duas vezes. Além de mentir para o homem, mente para si, que é muito pior. Pois a mulher deve buscar ao máximo, seu tão valioso orgasmo. E cabe a mulher, chegar a um acordo com o homem, para conseguir encontrar o melhor modo, para chegar ao orgasmo.

O homem é diferente, é reativo, a racionalidade do homem está em seu gene, o homem se excita com muito mais facilidade, o homem depende apenas da visão, se o homem ver uma bunda, já é o suficiente para que já fique excitado.

Já a mulher depende de um conjunto de fatores, para que fique excitada, a mulher precisa gostar do que está vendo, do que está ouvindo, tem que gostar do toque, do beijo, da segurança, que o homem esteja te proporcionando no momento, e mais outros fatores que façam com que a umidade do ar, se eleve.

A realização de fantasias sexuais pode ser o caminho, certo para a libertação de qualquer tipo de pudor. É muito importante o dialogo, uma boa comunicação na cama, é um grande passo para a continuidade de um relacionamento, sem contar que é um ótimo meio para que o tesão aumente ainda mais, para que nem passe pela cabeça (literalmente) a idéia de broxar.



* David Beckham, assumiu certa vez que às vezes usava calcinha, assim como a sua esposa, usava suas cuecas.

sábado, 5 de março de 2011

O sentimento da perda



“O Ser humano tem o triste hábito de só valorizar aquilo, quando se perde”. Quem escreveu essa frase, foi um camarada que eu gosto muito do que ele escreve chamado: Marcel Proust, que morreu ainda na década de 20. Não vou escrever sobre Proust e suas teorias, mas sim sobre o que reflete essa frase e todo o seu contexto.

Enfim, fato que essa frase reflete a mais absoluta verdade, se assim pode-se dizer. A veracidade dessa frase do Proust, pode se constatar em muitas ocasiões, principalmente em relacionamentos amorosos.

Há um tempo, escrevi a crônica: “Os Brutos também amam”, onde relatei a dificuldade que os homens sentem em lidar com seus sentimentos. Citei nessa crônica, o caso do meu amigo, que só passou a valorizar e reconhecer o que sentias por sua noiva, depois dela ter terminado com ele.

No caso desse meu amigo, ele só pode constatar o amor que ele sentia após ter perdido sua noiva. Mas porque muitas vezes nós só nos damos conta do amor que sentimos, quando a pessoa que amamos,nos deixa?

Isso acontece não só no amor, mas no trabalho, nas escolhas que fazemos ao longo de nossas vidas. Quem nunca disse aquela velha frase: “Eu era feliz e não sabia”, “se eu pudesse voltar no tempo, eu voltaria”???

É sempre difícil ter a consciência de que determinadas coisas, nunca mais voltarão. É um sentimento de vazio que sentimos dentro de si. Um sentimento de inutilidade, um sentimento de remorso, e de culpa muitas vezes. É devastador ter a certeza de não ter uma segunda chance, de viver certos momentos e não cometer os mesmos erros.

Talvez esse sentimento não seja propriamente amor, muitas vezes é apenas orgulho ferido. Não é difícil encontrar pessoas, que não aceitam o fim de um relacionamento. Muitas vezes é nutrido um sentimento de posse, onde a pessoa seja homem ou mulher, faz ameaças, começam a praticar a famosa tortura psicológica, para ter a pessoa amada de volta.

Quando esse sentimento sai de controle, acabam acontecendo os crimes passionais. Na maioria dos casos, praticado por homens, justamente devido à falta de controle emocional, como já foi citado.

Analisando os meus relacionamentos, pude constatar que todas as mulheres que nutri um sentimento mais intenso, foram exatamente às mulheres pelo qual não tive em meus braços. Por algum erro, por algumas falhas, perdi certas oportunidades.

Mas infelizmente, nós só aprendemos a valorizar na saudade, é no vazio que se aperta o coração, e que temos a nítida certeza que aquela pessoa faz falta. Só com o tempo e com a maturidade que conquistamos ao longo dos anos, aprendemos a deixar de perder as boas oportunidades que a vida nos oferece.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Eu te amo, mas sou feliz sem você




No final de novembro fui buscar minha mãe que chegava de Portugal, enquanto aguardava o vôo dela chegar, resolvi ir até uma livraria do próprio aeroporto a fim de passar o tempo. E nesse tempo tive a oportunidade de ver um livro com um título um tanto quanto curioso “Eu te amo, mas sou feliz sem você”.

Esse livro do autor Jaime Jeramilo, da editora Academia, aborda como tema principal, o amor egoísta. Dos amores em que vivemos muitas vezes em nossas vidas, fala da necessidade que temos de depositar a nossa felicidade e nossas realizações em algo ou alguém, fala do apego seja afetivo, material ou ideológico que nutrimos durante nossas vidas.

Confesso que nunca amei uma mulher verdadeiramente, para que pudesse ter esse tipo de amor, mas tive esse amor egoísta pelo meu trabalho. Onde por quase um ano deixei minha vida social, para viver exclusivamente para o meu trabalho, tudo para conseguir ter o tão almejado sucesso profissional.

Enfim, consegui meu objetivo em outra empresa, mas depois vi que a minha felicidade não dependia apenas de um cargo, mas sim de outros fatores, que abdiquei por considerar de menor importância.

O livro em si, abrange mais os relacionamentos, onde se costuma presenciar com mais facilidade essa constante. Tinha escrito em outra oportunidade, que a carência afetiva a falta de auto-estima, faz com que pessoas se submetam a viver com quem não se ama. É o conhecido “relacionamento acomodado”.

Muitas vezes o medo da solidão, o medo de não encontrar outra pessoa que queira ter um relacionamento sério, faz com que se mantenha um relacionamento frustrado.
A aversão ao novo, o medo de se arriscar e se arrepender-se, faz com que na maioria das vezes nos acomodemos com situações desagradáveis.

Conheci uma mulher, que nunca amou o marido, se casou pelo fato de ter engravidado, não conhecia a sensação de ter um orgasmo, mas apesar de ser bonita, não pedia o divorcio, devido ao filho, a dependência financeira, devido à religião, pois é evangélica e devido à família, pois não entenderia a sua posição de se separar de seu marido.

E para amenizar tudo isso, passava a madrugada em salas de bate-papo praticando sexo virtual, para se sentir desejado por outros homens, fato que não acontecia com o seu marido. Tinha essa rotina diária, para assim, amenizar o que sentia amenizar sua falta de coragem em buscar a sua felicidade, buscar se sentir completa e livre, coisa que nunca vivenciou.

Apesar de eu não ser muito fã de livro de auto-ajuda, esse livro “Eu te amo, mas sou feliz sem você”, pode ser uma solução para aquela pessoa, que busca se libertar de um amor narcisista, daquela relação que provoca mais sofrimento do que alegria. É sempre bom termos esperança de salvar uma relação, mas nunca devemos abrir mão da nossa felicidade, por um casamento ou por emprego, como foi o meu caso.

domingo, 7 de novembro de 2010

Infidelidade Congênita



Sábado estava em um bar, com algumas amigas, e por acaso ouvi um Funk que me chamou a atenção por sua letra, o refrão da música dizia o seguinte:

“No mundo em que vivo, não vale a pena ser fiel
Quem vive de amor é dono de motel.
Para que eu vou amar, se mais tarde eu posso sofrer
Pois não sei o sentimento que está dentro de você
Hoje em dia o bagulho ta louco, ta todo mundo mentindo
Por isso que eu vou continuar traindo...”.

Será que a fidelidade está tão banalizada e desacreditada assim?

Não sei, mas Nelson Rodrigues já dizia que amar é ser fiel a quem nos trai. Falando em Nelson, era notório em sua obra o tema da traição. Em seus contos quase sempre era possível achar algum personagem infiel.

Onde eu morava tinha um amigo, que tinha um relacionamento fixo com duas mulheres, conhecia a família das duas e amava as duas. Uma era amor, nela ele se sentia seguro, era carinhosa, puritana e dedicada e a outra sentia paixão, um imenso tesão, com ela, ele podia se realizar sexualmente, podia se entregar aos desejos da carne.

Dessa história infelizmente eu não sei o final, não sei se ele continuou com esse relacionamento dúbio, se já casou com uma das duas, ou se foi abandonado pelas duas.

Ele assim, como muitos homens era um canalha, mas um canalha com princípios, com sentimentos nobres em relação às duas mulheres de sua vida. Não era uma relação onde ele engana a namorada e usa a amante vendo a mesma como um pedaço de alcatra, era algo lúdico, mesmo sendo absurdo, de acordo com o padrão de monogamia atual.

Muitas vezes a pessoa trai por carência, auto-afirmação, vingança, vaidade, fetiche, bebedeira…etc). Razões não faltam para tal feito.

Homens e mulheres traem muito mais do que há 30 anos, com a liberação sexual e a liberdade conquistada pelas mulheres, fez com que aumentasse o número de mulheres que traem, mas ainda assim, o homem se supera nesse quesito.

O homem é mais sexual, mais carnal, por isso que na maioria das vezes trai na primeira oportunidade que tiver. O homem quando trai deixa o coração de lado, somente usa o corpo. Ele pode trair simplesmente por desejo de ocasião, sem deixar de amar sua mulher.

Já a mulher em sua maioria, trai com o coração, invariavelmente a mulher precisa de um motivo que justifique sua traição, ao contrário de muitos homens que necessitam apenas de uma oportunidade, para consumar tal ato.

A internet é uma vilã, que facilita ainda mais algum possível deslize. Em salas de bate-papo a mulher cândida, resignada, pode encontrar um homem que sinta desejo por ela, coisa que o marido deixou de sentir.
Em sites de relacionamentos, maridos entediados buscam sexo fácil, um outro corpo para fugir da rotina angustiante que se transforma o casamento, como acontece em muitos casos.

Fatos como esse do meu amigo, relacionado à traição, me faz lembrar de uma frase de um amigo gaúcho, que disse certa vez, quando estávamos falando sobre o tema que:“cachorro só fuça o lixo do vizinho quando não se tem comida em casa”.

Analogia genial, na maioria dos casos, que vai de encontro ao que eu penso, pois acredito que a fidelidade em si, esteja atrelada ao tesão, ao desejo que se tem em relação a pessoa que deita ao seu lado, em sua cama.

A infidelidade é congênita, e estamos propícios a pular a cerca desde o nascimento, está enraizado em nossos genes, que provém de nossa árvore genealógica, onde a poligamia era praticada por nossos antepassados. Sendo que no oriente médio, tal prática é usada até os dias de hoje.

A solução para fugir de uma eventual traição, pode ser simples, é sempre bom dar asas a nossa imaginação aos nossos desejos, buscar a realização da nossa fantasia, sem ter constrangimento de pedir para a pessoa que está ao nosso lado. Uma visita a um sex shop, pode ser a solução para evitar, uma possível traição e por conseqüência o término de um relacionamento. O baralho ou o livro do Kama Sutra é uma boa pedida, pois não é por acaso que as posições do Kama Sutra, fazem sucesso entre os casais, desde o século IV.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Solidão de nossos tempos


Há um tempo atrás, eu vi uma matéria um tanto quanto curiosa, em que mostrava um japonês que era apaixonado por seu travesseiro. O travesseiro em questão era estampado com uma personagem de mangá (histórias em quadrinhos de origem japonesa).

O dito cujo, anda para onde for com seu travesseiro de 1 metro, inclusive leva para jantar, pedindo mesa para dois, viaja, colocando o travesseiro no banco do carona de seu carro, como se fosse uma namorada de verdade.

Esse homem deu uma entrevista para a rede britânica de televisão BBC, dizendo que se apaixonou pelo travesseiro, pelo fato de não amar e não ser amado por nenhuma mulher de verdade. Disse que devido à solidão, se apaixonou pelo seu travesseiro, pois ao lado de seu travesseiro se sentia bem, se sentia reconfortado. Isso tudo aconteceu devido a solidão.

A solidão é um dos males que assombra as pessoas nos dias de hoje, a carência afetiva se evidência cada vez mais, a cada ano que passa as pessoas estão mais carentes, mais sozinhas em si. Quanto mais criam ferramentas, atalhos para diminuírem a distancia um do outro, mais nos sentimos sozinhos.

Conheço muitas pessoas que mantém um relacionamento frustrado, para não ficar só, o medo da solidão faz suportar dormir ao lado de alguém que não se ama. É por esse motivo que muitos relacionamentos começam e pelo mesmo motivo que não terminam. Tudo pela dependência de ter alguém ao nosso lado, o medo de ficar só.

Muitas pessoas tentam de todos os modos conquistarem o amor de alguém, mesmo sabendo que nunca irá conseguir tal reciprocidade de seu amor.

Nunca devemos forçar alguém a nos amar, nem sentir culpa pelo fato de não termos conquistado o amor da pessoa desejada. O amor é um sentimento natural, que vem derrepente, num rompante de desejo, ou vem com o tempo, ou simplesmente não vem.

O amor de um jamais irá suprir a falta de amor do outro. Posso dizer “Eu te amo” para a pessoa amada, mas jamais exigir que o outro também o diga com a mesma intensidade e com a mesma sinceridade. O amor só cresce e florece à sombra de outro amor, nunca vingará na ausência de tal sentimento. Você pode possuir o corpo, mas jamais o espírito da pessoa que se ama.

É frustrante amar por toda uma vida o vazio, um espelho onde só é possível ver o seu próprio amor refletido. Se tal feito for vivido, com certeza é uma experiência dolorosa, onde não vale a pena tal sacrifício.

Dentre os meus relacionamentos efêmeros, já tive oportunidades de ver algumas demonstrações de mulheres que se diziam apaixonadas por mim.

Mas acredito que o motivo de tal sentimento, seja o fato de ver em mim, a figura daquele que iria libertá-las da solidão, pelo fato de num curto espaço de tempo eu ter saciado a carência que sentiam. O fruto de tal sentimento foi à carência e o vazio, a solidão que sentiam dentro de si. Digo isso com conhecimento de causa, pois na minha adolescência, todos os meus amores platônicos, eram fruto da carência que sentia.
Enquanto escrevo esse texto, milhares de pessoas estão enclausuradas em salas de bate-papo, muitas procurando a perfeição que não encontram em si.

Muitas pessoas procuram alguém para andarem mãos dadas, fazer desenhos em nuvens, alguém para dividir as alegrias e as tristezas, procuram alguém em quem confiar, procuram alguém para curar a solidão que sentem.

É possível ter casado, noivado, viver cercado de pessoas, e mesmo assim estar só, a solidão não é o fato de simplesmente estar só, é um estado de espírito que é necessário ser vivido para ser compreendido.

A solidão pode ser algo momentâneo como a alegria e a tristeza. Como pode ser intensa como a paixão, ou duradoura como o amor.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Sexo dos Anjos


O sexo é sagrado ao mesmo tempo em que é profano
O sexo pode ser tudo ou pode ser nada
O sexo pode ser a salvação ou a perdição de uma pessoa
Vai do frenesi com rompantes de desejos e de ternura
O sexo é transgressor, é paradoxalmente excitante
É o momento de glória para o homem

O sexo é lúdico, é contemporâneo
O sexo pode ser político
Pode ser socialista, pode ser comunista
Pode ser neo liberalista, pode ser burocrático
Pode ser de esquerda, de direita, por cima ou baixo
Na cama ou em baixo da chuva

O orgasmo é o elixir do Deuses, um ato sagrado
Que fora abençoado pelos anjos.
É puritano é efêmero
É biológico e metafísico
Pode ser para toda uma vida
Como pode ser apenas por uma noite

O sexo deve ser vivido e explorado em toda sua magnitude
Em toda sua essência, o sexo é transformador
É apoteótico, é o momento único
Transforma meninos em homens
E transforma mulheres em Deusas

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Desejo de Colombina



A colombina ama o Pierrot, mas morre de desejo pelo Arlequim. O canalha representado por Alerquim é o amante ensandecido, que tortura os pensamentos de luxúria de Colombina. Que ao mesmo tempo, se divide entre o amor lúdico de Pierrot, um amor puro, pelo qual Colombina sempre sonhou.

Essa representação do conto carnavalesco de Colombina é o mais puro retrato da paixão, que muitas mulheres nutrem pelo canalha. O canalha é sedutor, tem um brilho no olhar que encanta e que enfeitiça as mulheres de um modo geral. Ele tem o dom de falar a palavra certa na hora certa, falar aquilo que uma mulher precisa ouvir naquele momento.

O bonzinho que no conto carnavalesco é representado pelo Pierrot, é o par ideal para ter um relacionamento estável, para ter filhos e construir uma família. Mas na maioria das vezes, o bonzinho não sacia o desejo da mulher, como o canalha o faz tão bem. Com o bonzinho a menina vira esposa, já com o canalha a menina vira mulher.

Nem sempre o canalha é o mais bonito, nem o mais inteligente, muitas mulheres tem dificuldade para encontrar uma razão racional, uma razão lógica para terem se apaixonado tão intensamente pelo canalha.

Conheço história de mulheres devotas, fiéis a seus maridos, que trocaram um casamento de anos e anos, por uma efêmera aventura amorosa com um canalha. A imprevisibilidade do canalha seduz facilmente, a mulher entediada com a rotina e a tranqüilidade proposta pelo homem devoto, muitas vezes representado pelo próprio marido.

O bonzinho é aquele que procura ser o príncipe encantado, é romântico, leva sempre uma caixa de chocolate, manda flores e poemas em que declara seu eterno amor, entre outras coisas do tipo. Esse perfil de homem entendia facilmente a maioria das mulheres.

Apesar do homem bonzinho se encaixar no perfil de homem perfeito, ele não gera a mesma emoção e a mesma expectativa que o canalha. Isso acontece, pois a mulher é apaixonada pelo desafio, ela gosta de usar todo o seu poder de sedução para conquistar um homem. O canalha não se deixa apaixonar facilmente e isso desperta um desejo quase instantâneo de conquistá-lo.

É quase uma questão de honra conquistar um canalha, fazer com que ele se apaixone perdidamente. Quando se consegue conquistar o canalha, todo sofrimento passado, todas as noites em que passou em claro chorando, são recompensadas, quando consegue ter o canalha por completo. Nem que isso seja por um curto espaço de tempo, como acontece na maioria das vezes.


Autoria de
Kadan Cordeiro

sábado, 8 de maio de 2010

Medo de Mulher Bonita




Não é difícil ver mulheres lindíssimas solteiras, que tenham dificuldade em arrumar um namorado, mesmo porque esse tipo de mulher é seletiva por natureza.

Tenho uma amiga que é o retrato desse tema que escrevo. Ela é lindíssima, tanto de corpo, quanto de rosto. Ela no alto de seus 1,95 de altura é uma menina meiga, inteligente, interessantíssima e tem um senso de humor incrível. É raro ver mulheres bonitas, que tenham conteúdo e que não sejam arrogantes de certa forma.

Essa minha amiga, tem uma dificuldade enorme de ter um relacionamento estável. Todo relacionamento que ela começa simplesmente terminam antes mesmo de começar. Ela diz que os homens a deixam sem uma explicação convincente.

Talvez seja sua altura que assuste os homens, que não estejam acostumados a ver mulheres tão altas assim. Mas acredito que o real motivo de sua solidão seja a sua independência. A independência que essa minha amiga ostenta, seria um atrativo a mais na teoria, mas na prática torna-se um repelente de pretendentes, com uma eficácia sem tamanho.

A beleza acompanhada de conteúdo traz a independência, que assusta e que afugenta o macho com sede de dominação. De 30 anos para cá, a mulher conquistou sua tão almejada independência. Hoje a mulher tem o direito de escolher com quem vai para a cama e não mais o contrário, como era de costume.

Hoje a mulher é muito mais vaidosa, valoriza muito mais a beleza de seu corpo, trava uma luta com o tempo e com o espelho. A mulher de hoje em dia é dona de si, tem consciência de sua importância e do seu valor. Mas infelizmente nem tudo são flores, e na maioria das vezes a solidão é o preço a se pagar para ser livre.

Particularmente eu gosto de mulheres independentes, valorizo a personalidade de mulheres que não se deixam levar. Na minha concepção, a inteligência é afrodisíaca, e se nesse caso vier acompanhada da beleza, é um convite para a perdição.

Mas infelizmente vivemos em uma sociedade machista, onde muitos homens se assustam ao ver uma mulher bonita e independente. Todos os homens querem ter uma noite de sexo com uma mulher capa de Playboy, mas somente alguns querem ter um relacionamento com essa mesma mulher. Parece contraditório, mas se tratando de homem não é.

Esse caso me fez lembrar um amigo, que fazia questão de terminar todo relacionamento que começava, ele dizia que fazia isso, pois era orgulhoso demais para aceitar que uma mulher terminasse com ele.

Muitos homens, como esse meu amigo tem atitudes semelhantes, não pelo fato de serem extremamente orgulhosos, mas sim de serem inseguros. Para um homem de auto-estima baixa, ter um relacionamento com uma mulher que tenha esse perfil requer uma segurança e um autocontrole. Pois a concorrência é o preço a se pagar, por ter ao seu lado uma mulher que desperta a cobiça em outros homens.

Caso não se tenha essa segurança, ocorrem crises de ciúmes, que irão ocasionar inúmeras brigas, que por conseqüência leva o relacionamento ao desgaste prematuro.

Eu nunca tive um relacionamento com uma mulher bonita, digo bonita segundo os padrões estéticos atuais. Mas todas tiveram algo que me chamaram atenção, seja o sorriso, o olhar penetrante, sejam os lábios carnudos, seja a personalidade, enfim todas tinham uma beleza peculiar aos meus olhos. Mas todas sem dúvida alguma eram mulheres interessantes, independente de sua beleza.

O Orgasmo




Outro dia estava vendo no Discovery Chanel, uma matéria em que falava sobre a vida sexual dos animais, fiquei feliz em saber que o golfinho, é o único animal que transa por prazer, ao contrário de todos os outros animais, que transam para procriar e somente isso.

Vi também coisas bizarras, tais como o sexo do Louva-Deus. Você sabia que o Louva-Deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo? A fêmea inicia o ato sexual arrancando-lhe a cabeça

Alguns leões se acasalam até 50 vezes em um dia. Por isso que eles são os reis dá selva, tamanha virilidade não é para qualquer um.

Mas o leão não supera em qualidade o porco. É isso mesmo o porco gordinho desajeitado com aquela cara de besta, tem orgasmo que dura 30 minutos, provando mais uma vez que quantidade como a do Leão, não representam qualidade. Realmente o porco de besta, só tem a cara e o jeito de andar.

Deixando o mundo animal de lado, o orgasmo é o momento de glória para nós seres humanos, é um momento mágico. Naqueles poucos segundos, o homem vê a importância de sua existência sendo consumada, entre o delírio e a loucura, de um frenesi que somente nós e os golfinhos sabemos (pelo menos eu acho).

Falo do orgasmo masculino, como conhecimento de causa. O orgasmo é um momento mágico, onde se pode ver estrelas e sentir sensações inimagináveis, por assim dizer.

Assim como Nelson Rodrigues dizia que a TV matou a janela, afirmo que, a rotina acaba com o alibido, com doses homeopáticas de pragmatismo na hora do sexo. Não existe algo mais nocivo para o tesão, do que o pragmatismo do sexo, a rotina e a estabilidade do relacionamento, acabam com qualquer sex appeal. É frustrante saber como terminará o sexo, antes mesmo de começar.

O sexo está interligado a durabilidade de um relacionamento, a pessoa ao seu lado pode ser a sua tão sonhada alma gêmea, sua cara-metade, pode te completar em todos os sentidos, mas se não te fizer gozar como desejas, a probabilidade desse relacionamento terminar é muito grande. Se goza com intensidade é na instabilidade da paixão, é aí que acontece os orgasmos mais intensos.

O amor vem depois do sexo, primeiro vem o tesão, aquela paixão enlouquecedora que é comum em começo de relacionamento. E naturalmente vai diminuindo a intensidade, dando lugar a um sentimento mais nobre de cumplicidade e de companheirismo, mais conhecido como Amor.

Mas esse ciclo depende do sexo, depende do tesão, do encaixe que acontece durante o sexo, pois o sexo com tesão torna-se paixão e o amor sem tesão torna-se amizade. Como já disse Arnaldo Jabor um dia, ninguém se masturba por amor ou sofre sem tesão.

Em relação ao orgasmo do homem, o orgasmo é mais racional, é algo direto, já a mulher goza antes durante e depois. A mulher necessita de fatores mais subjetivos para entrar no clima. Fato que muitos homens desconhecem.

A mulher não usa somente a visão para se excitar, assim como o homem. A mulher precisa do envolvimento, do toque, do beijo, do cheiro, da palavra perdida dita com a intensidade do desejo. Daquela pegada que a faz sentir como se fosse à única mulher a existir.

O orgasmo é o momento de glória é a consagração do desejo da carne, quando esse desejo é saciado. É o regalo divino ofertado pelos Deuses, que nós temos o prazer de desfrutar todos os dias.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Long Time




Recentemente passou na TV o filme Efeito Borboleta, pelo qual assisti pela 3° vez. Esse é o tipo de filme que pode reprisar que eu estarei assistindo, assim como: Ghost e Meu primeiro Amor, que não canso de assistir.

Efeito Borboleta é um filme contemporâneo, que nos força a uma analise sobre nosso passado, fazendo uma projeção em relação ao nosso futuro.

No filme traz como personagem principal, Evan (Ashton Kutcher) um jovem que luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele decide realizar uma regressão onde volta também fisicamente ao seu corpo de criança, tendo condições de alterar seu próprio passado. Porém ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos, já que toda mudança que realiza gera consequências em seu futuro.

Toda vez que vejo esse filme, me faz lembrar a minha vida e das minhas escolhas, como qualquer pessoa eu tenho arrependimentos, pois seria bom se eu falasse em certos momentos e me calasse em outros, tivesse dito sim em algumas oportunidades e tivesse dito não em outras, ter roubado aquele beijo, me declarado quando tive a oportunidade, tivesse me contido naquela situação e tivesse me manifestado em outras situações.

Mas se pudéssemos voltar no tempo, isso seria garantia de felicidade? Será que se pudéssemos alterar nosso passado, seria garantia de felicidade no presente?

Muito provavelmente não, pois nós nunca estamos satisfeitos com o que temos, essa é a diferença que nós temos em relação aos animais, nós buscamos sermos felizes e eles simplesmente o são.

Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria aos meus oito anos de idade, seria uma criança mais confiante e menos complexada e não iria ligar para a opinião das outras pessoas. Com isso seria mais aceito pelos meus amigos e etc.

Mas se eu fosse assim com certeza eu não teria a personalidade que eu tenho hoje, não teria a mesma visão que eu tenho hoje. Pois muito provavelmente eu seria tão fútil quanto os meus amigos eram e hoje por conseqüência seria uma pessoa vazia.

E com certeza não teria escrito muito de meus textos e nem teria feito o blog do Homenzinho de Barba Mal Feita, no máximo teria um blog de humor com piadas copiadas da internet.

Mas toda escolha exige sua renúncia, se voltássemos ao passado e conseguíssemos a solução de um problema, por conseqüência criaríamos outros problemas. Nós só aprendemos com nossos erros e temos a ridícula tendência de somente valorizar aquilo quando perdemos.

O tempo em si é um grande professor, somente ele nos ensina com as derrotas e valorizarmos as vitórias. Com o tempo amadurecemos, crescemos como pessoa. Com o tempo deixamos de ter medo do escuro, deixamos de ser tão tímidos, de sermos tão inseguros.

Aprendemos que tamanho não é documento e que ter uma bundinha empinadinha não é tudo nessa vida. Deixamos de sermos tão fúteis, aprendemos a dar valor as coisas simples da vida, as coisas que realmente são importantes para nós.

Efeito Borboleta traz a tona o eterno desejo apoteótico do homem em decidir o seu destino, o desejo enraigado de controlar o tempo. No filme mostra como é frustrante para o pequeno grande ego do homem, em constatar a dura realidade, de que é controlado pelo tempo de que não pode voltar atrás e mudar o passado e decidir o futuro.

E se tivéssemos a possibilidade de voltar no tempo e consertar as besteiras que cometemos, a vida perderia muito do seu dinamismo, e deixaríamos de aprender com os nossos erros, pois é através dos erros que buscamos alcançar a perfeição.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Paradoxo da Beleza



Desde os tempos mais remotos, que a beleza feminina causa controvérsias. Na china antiga, por exemplo, as meninas a partir de seus seis anos, tinham os seus pés enfaixados, e usavam sapatos com a numeração menor, conforme elas iam crescendo, os pés iam se deformando. Na fase adulta essas meninas tinham dificuldade para andar e, esse sacrifício era em sinal da beleza estética na época.

No início do século XX nos Estados Unidos e Europa, as mulheres usavam espartilhos que limitavam seus movimentos e causava uma série de problemas de saúde, incluindo insuficiência respiratória, atrofiamento dos músculos das costas e deformação do estômago e fígado. Isso tudo para ter uma cinturinha de “Pilão” e, esconder aquele pneuzinho.

Em algumas regiões da Ásia e da África, existem as “mulheres girafas”, que usam argolas no pescoço. Essas argolas representam classe social, sinal de vaidade e, de feminilidade para as mulheres daquela região. Algumas vezes deixam as usuárias deficientes e dependentes de seus maridos.

Daí vem à pergunta que não quer calar... Sinal de beleza ou submissão, imposta pelo sexo masculino?

Na antiguidade a coisa era diferente, e as gordinhas eram veneradas como símbolo de beleza. Um homem da época não se interessava por uma Marlyn Monroe da vida, pois, ser magro era sinal de doença e pobreza, pois era magro, pois não tinha o que comer.

Se antigamente as mulheres tinham que se entupir de torresminho para manter a forma, não é a cena que se vê nos dias atuais, onde se existe um culto a magreza esculpida e exagerada. E esse conceito já é introduzido já na infância, pois as bonecas Barbies e as Suzis são tão magras que até parecem anorexias.

Um corpo magro é sinal de beleza, um protótipo de sucesso. Imagem que fora criada pela sociedade, que estabeleceu esse padrão como beleza absoluta. Mesmo nos dias de hoje, o machismo continua enraizado nas entranhas da nossa sociedade, apesar da liberação sexual conquistada pelas mulheres, muitas mulheres sofrem por não se encaixarem no padrão de beleza estabelecido pela mesma sociedade. As mulheres invariavelmente confundem auto-estima com ter um corpo com curvas delineadas, sem estria e sem celulite.

Com essa ditadura da beleza, o tempo torna-se o maior carrasco para o Narciso, pois mostra de forma cruel que a beleza não é eterna. A bundinha durinha e empinadinha de hoje, será a bunda caída, com celulite e estria de amanhã. Em contra partida se já não temos o mesmo rosto lisinho, nos sobra experiência, maturidade e acima de tudo conteúdo.

Hoje as mulheres buscam a forma física ideal, a preço de dietas infindáveis, muita academia, lipoaspiração e drenagens ninfaticas, para conseguir enfim, sumir com a maldita celulite.

Mas acreditem meninas, só quem pode se dar ao luxo de usar fio dental sem celulite é travesti (o Ronaldo, que o diga). E às vezes nós homens até preferimos umas gordurinhas para pegar, ao invés de um ossobuco de passarela.


PS. E viva Venus Willindor Flarge(foto acima), a gostosona da pré-história!!!


Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Saudade de Lurdinha



Olavo estava sozinho em sua cozinha, saboreando o2° copo de whisky, chorando mais uma vez a partida de sua tão amada esposa Lurdinha, que faziam três anos que tinha ido embora com Fonseca seu amigo contador, que conheceu a muitos anos no fórum, onde durante muitos anos trabalhou como escriturário, agora que estava aposentado por tempo de serviço, via as horas de seu dia passar para constatar a inutilidade de sua vida, sem sua querida Lurdinha.

Hoje Olavo valoriza os afazeres domésticos que Lurdinha realizava, hoje andava com suas camisas quase sempre manchadas e abarrotadas, mostrando a dificuldade que ele tinha para passar uma camisa de botão.

Sem contar à saudade que sentia da rabada que só Lurinha sabia fazer, hoje gastava boa parte de sua aposentadoria, no bar do Feitosa, onde sempre comia um picadinho com moela no almoço e que trazia uma quentinha para jantar.

Olavo era feliz e não sabia, hoje era um homem melancólico, triste, amargurado pela falta que Lurdinha fazia em sua vida.

Olhando para aquele copo pela metade de Whisky em sua mão, Olavo pode ver onde errou com Lurdinha, onde que por 20 anos não soube valorizar a mulher que tinha em casa. Uma mulher dedicada, devota, companheira, que sempre esteve ao lado dele, mas que hoje se encontrava nos braços de Fonseca.

Cansado dessa vida miserável, Olavo decide tomar uma atitude radical nessa situação, em um gole só acaba com a dose que restava em seu copo. Levanta em direção ao armário da dispensa e abre em busca daquilo que enfim daria tranqüilidade a seu desespero.

Porém, Olavo leva um susto ao ver sair dela uma barata, com o reflexo que lhe restava, Olavo chuta a barata para o canto da cozinha. Voltando a sua atenção ao que realmente interessava naquele momento: um frasco de racomim.

Seria perfeito, pois somente um veneno de rato para matar outro rato, um rato que foi incapaz de demonstrar o tanto que amava Lurdinha. Agora já era tarde, na verdade passara da hora de dar fim aquele vida de lamúria que já duravam três anos.

Olavo enche mais uma dose de seu Whisky Johnnie Walker Gold Label 18 anos, que ganhou de seu chefe de repartição, quando completou dez anos de casado, onde nunca tinha aberto pois esperava uma ocasião especial, e aquela era a tão sonhada ocasião.

Olavo pega o racomim e despeja em seu whisky e diz:

- Todo castigo para corno é pouco!!!

Quando ia tomar olha para o canto da sala e vê que a barata que ele tinha matado ainda estava viva. Deixou o copo de Whisky em cima da mesa e se aproximou da barata. Agachou-se e pode ver que ela estava de ponta cabeça e mexia suas patas, num movimento irracional para se livrar da morte.

Olavo pode ver o desespero da barata em sobreviver, agonia que sentia pelo fato de não poder se defender nem de fugir, via que ela a barata mesmo sendo um inseto, não se deixava abater pelas dificuldades da vida e acima de tudo queria viver, mesmo sabendo que seria pelo resto de sua vida apenas uma barata.

Nesse momento Olavo, tomou consciência de sua fraqueza e de sua covardia em tentar acabar com sua vida. Olavo desvirou a barata e deixou que seguisse sua vida em paz, guardou o racomim e o Whisky e foi dormir, pois já passava da 23:00.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, registrado em cartório.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Mulher


O dia das mulheres é apenas uma data burocrática, pois todos os dias, por direito é dia das mulheres. O dia internacional da mulher foi criado na virada do século XX, para celebrar os protestos das mulheres que reivindicavam contra as más condições de trabalho, e pelos baixos salários pagos nas fabricas dos EUA e da Europa.

Hoje no dia das mulheres, além de ser uma data especial, é uma data em que posso homenagear as mulheres que tanto amo. Talvez o fato de ter crescido sem ter uma imagem masculina significativa, fez com que eu entendesse, muitas vezes o que as mulheres pensam e principalmente o que elas sentem.

Eu sou o que sou, graças às mulheres que passaram em minha vida, com cada uma eu pude aprender algo, tenho hoje dentro de mim pequenos pedaços dessas mulheres, que foram tão importantes na minha vida.

A mulher é representada biologicamente como o ser reprodutor, socialmente é o alicerce da família, antropologicamente é o ser que foi dominado, pela brutalidade e a racionalidade do sexo masculino.

Os antigos acreditavam que era somente através da mulher que se podia chegar até os Deuses. O sexo entre um homem e uma mulher, era um ato sagrado, a mulher era como se fosse um portal apoteótico. Os gregos acreditavam que a mulher era um ser enviado pelos anjos, e que deveria ser cultuada, pelo fato de ter recebido a dádiva dos Deuses de poder gerar outro ser.

Infelizmente a mulher nos dias de hoje já não tem o devido e mais do que merecido valor. A mulher muitas vezes é vista apenas como um pedaço de carne, para ser consumido e saciado em apenas uma noite e nada mais.

Há 50 anos a mulher nascia e crescia com um único objetivo: casar e ter filhos. Não tinha maiores aspirações na vida, seria somente uma dona de casa devota ao marido.

A grande maioria das mulheres do passado não sabia o que era viver a liberdade em seu esplendor, não sabia o que era um planejamento de uma carreira profissional, não sabia o que era um orgasmo, enfim não conhecia o poder de escolha. Hoje talvez o problema seja justamente a grande quantidade de escolhas que a mulher pode fazer em sua vida.

E esse excesso de escolhas reflete em sua felicidade nos dias de hoje. Recentemente saiu uma pesquisa que foi feita com1. 500 pessoas, que é realizada anualmente desde 1972, nos Estados Unidos que revela que a mulher de hoje á mais infeliz em relação à mulher de 30 anos atrás.

Essa pesquisa revela uma “crescente tristeza” da mulher e “crescente felicidade” do homem. Não sei até onde essa pesquisa condiz com a realidade dessa tristeza feminina. Mas uma coisa é certa, a mulher nunca foi tão pressionada como está sendo agora.
É muita pressão para uma mulher só, tem que ser uma profissional exemplar, ser ótima aluna, ser uma mãe atenciosa, sempre suprindo as necessidades dos filhos e do marido, ser uma esposa dedicada, que cumpre com maestria as obrigações do lar e ainda tem que ser a super gostosa, mesmo que não ligue para a barriga de chop, adquirida pelo marido ao longo dos anos de casamento.

Desse tempo para cá, muita coisa mudou com a ascensão das mulheres nos mais variados meios da sociedade. Esse fenômeno ocasionou algo que parecia inimaginável, que foi justamente a feminilização do macho. Hoje o homem tem mais liberdade e está aprendendo a lidar com os seus sentimentos, algo que as mulheres já nascem sabendo.

Por sua vez as mulheres se adaptaram a esse conceito reacionário do machismo dos nossos dias e está mais prática, mais racional. É uma inversão de valores de certo modo, que ocorre nos dias de hoje.

Vejo muitas mulheres, principalmente quando têm certo destaque profissional, tendo as mesmas atitudes e muitas vezes incorporando algumas características do homem. Isso é um grande erro, pois a história mostra que nós homens fracassamos. Nelson Rodrigues disse certa vez, que as feministas querem transformar a mulher em um macho mal acabado.

A mulher mesmo depois de ter queimado seu sutiã, deve continuar sendo mulher, tem que ter orgulho de sua essência, de sua sensibilidade que é o seu maior triunfo.

E é por essa sensibilidade que eu sou seduzido, é o que me encanta em cada mulher. Cada mulher possui um segredo, um mistério que nelas habitam. E esse mistério é revelado a poucos.

Voltaire já dizia que é no coração das mulheres que se reúnem todas as contradições, isso é verdade, pois, a mulher é um ser complexo e, de difícil compreensão. Um ser que é influenciado pela mudança da lua, assim como as marés, realmente não pode ser de fácil compreensão.

A mulher, por si só, é o símbolo do amor, e a razão pelo qual existe a poesia e a paixão. E por isso nem vale a pena entende-las, eu me contento somente em admirá-las.

Apesar de a mulher ser a imagem e a semelhança de Deus, eu não gostaria de ser mulher. Pelo fato de na condição limitada de homem, ter o privilégio de poder deitar e acordar ao lado de uma mulher, beijar, acariciar e acima de tudo, o privilégio de amar por toda uma vida, uma mulher.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma Cena de Cinema




Acabei de assistir uma cena, que com certeza ficará marcado em mim, assim como ficou marcado o choro angustiante de Vada, no velório de seu melhor amigo Thomaz, interpretado por Macalay Culkin, no filme Meu Primeiro Amor.

A cena em questão que me marcou é de um filme pornô, protagonizado pela atriz Leila Lopes e Ana Midori, onde filmam uma cena de sexo entre duas lésbicas. Leila Lopes fez sucesso na década de 90, onde trabalhou em novelas como: Pantanal da TV Manchete, Rei do Gado e Malhação em 1997 na TV Globo.

Confesso que a curiosidade de ver uma atriz que conhecia das novelas, atuando em um filme pornô, foi mais forte do que qualquer sentimento puritano que pudesse repudiar tal ato.

A cena em questão é do filme Pecado Final, onde Leila Lopes e Ana Midori deixam claro que aquele momento de desejo era único, somente delas. Não estavam ligando se estavam saciando o meu desejo, ou de qualquer outra pessoa, que estivesse vendo a cena, dentro de sua solidão efêmera. Na cena, elas procuram matar a fome da carne, sem nenhum tipo de pudor ou algum tipo de constrangimento, procuraram saciar somente o desejo delas, e de mais ninguém.

Não vi uma cena de sexo entre duas lésbicas, longe disso. Vi uma cena de amor entre duas mulheres, onde se deitavam em uma cama de casal, onde suas coxas bronzeadas e bem torneadas se confundiam a brancura dos lençóis. Na cena das duas, existia uma sinergia que jamais tinha visto, existia um toque diferente, uma troca de olhar que beirava ao romantismo, fugindo totalmente do clichê da pornografia escrachada, que estamos acostumados a ver

Era uma cena natural, uma cena erótica é verdade, mas uma cena natural. Onde as atrizes não precisaram fazer cara de safadinha, nem fazer alguma pose acrobática, nem gemidos extravagantes se ouvia. Os gemidos eram abafados, talvez para manter ainda mais intima aquela relação.

A pornografia em si, foi criada para ser consumida, não para ser vivida em sua exatidão. Por isso mesmo que alguns filmes, muitas vezes dirigidos por mulheres, deixam nós pobres mortais mais próximos das cenas vista nos filmes, pois fogem daquele clichê padronizado, onde o enredo do filme é o de menos.

Com o crescimento da exposição da pornografia, criou-se uma certa ditadura do sexo.Onde mulheres ficam de certa forma constrangida de não ter uma bunda holográfica nem um peito plastificado da atriz americana que vê na tela de sua TV, ou do monitor de seu computador.

Na maioria das vezes, a mulher não se vê nesses tipos de filme, tal ato foge de sua realidade, sente culpa por não ter libido suficiente para realizar aquela posição acrobática, sente inveja por não conseguir ter os ditos orgasmos cinematográficos, em que parece ser possível tocar o céu, de tão surreal que aparente ser.

Na maioria dos casos o homem com seu orgulho machista se recusa a assistir a um filme pornô acompanhado de sua parceira. Mesmo sabendo que isso possa melhorar a relação e o sexo em si.

O fato de saber que seu pinto não tem 23 cm e que não tem tanta resistência e que nunca vai conseguir proporcionar um orgasmo cinematográfico para sua companheira, desestabiliza, tira do eixo. O sexo solitário enclausurado, feito no banheiro é o preço a se pagar por sua inferioridade congênita.

A cena que me motivou escrever sobre o tema, mostrava dois corpos desnudos, em um ato que já fora sagrado no começo dos tempos, o ato da satisfação pela carne, satisfação de consumir e ser consumido pelo desejo.

Foi uma cena bonita, uma cena clássica do envolvimento de duas pessoas pelo mesmo desejo. Foi uma cena que não me deixou excitado como deveria, pois buscava uma cena de sexo e encontrei uma cena de amor entre duas mulheres.

Texto de autoria de Kadan Cordeiro, fora devidamente registrado em cartório.
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